POSITIVO

Hatzalá: uma década salvando vidas na comunidade

Para quem não conhece, a Hatzalá (que em hebraico, significa salvamento), é uma espécie de Samu Judaico. Criado pelo rabino norte-americano Herschel Weber, em Nova York, a ideia era reduzir o tempo de resposta dos serviços médicos de emergência no seio da comunidade judaica local.

A ideia rapidamente se espalhou por outras regiões dos Estados Unidos e, com o passar do tempo, ultrapassou as fronteiras norte-americanas. Hatzalá é, atualmente, o maior serviço voluntário de ambulâncias do mundo. Em Nova York, a organização possui milhares de voluntários que atendem mais de 250 mil chamados, por ano, utilizando carros particulares e uma frota de mais de 70 ambulâncias.

A Hatzalá, que chegou ao Brasil em 2011, está presente em Israel, Austrália, África do Sul, Cidade do México, Panamá, Bélgica, Suíça, em algumas cidades do Canadá, na Rússia, na Inglaterra e em mais de cinco estados nos EUA.

Quem precisou do serviço só tem elogios, tanto pela rapidez do atendimento, como pela ação precisa dos voluntários. Obedecendo às determinações da legislação brasileira referentes ao atendimento na área de saúde, a organização começou atendendo os bairros do Bom Retiro, Santa Cecilia, Higienópolis, Perdizes, Jardins e Pacaembu, mas já está expandindo sua atuação.

O principal preceito judaico é a preservação da vida. E é disso que se trata a Hatzalá. Que a entidade tenha muitas outras décadas de existência, para que cada vez mais vidas judaicas sejam salvas.

CIP, com apoio da Fisesp, Hebraica e Unibes, acolhe moradores de rua

Este ano, o inverno em São Paulo tem batido recordes de baixas temperaturas. Quem mais sofre com isso, claro, é a população em situação de rua, que não tem um abrigo para se proteger.

Dia desse cenário, a Congregação Israelita Paulista (CIP) foi convocada pelo governador João Doria e pelo padre Júlio Lancelotti para ajudar essas pessoas. Em uma decisão emergencial e em menos de 24 horas, a Casa da Juventude foi adaptada para fornecer comida e abrigo para 62 pessoas.

Para que tudo pudesse ficar pronto com a rapidez necessária, a CIP contou com o apoio da secretária de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo, Celia Parnes, assim como de Luiz Kignel, da Fisesp, Denise Antão, da Unibes e Fernando Rosenthal, da Hebraica – que ajudaram com toda a complicada logística – além da ONG Unidos do Bem, Mercado Maceió e Paseg.

Em menos de um dia, profissionais e voluntários – muitos apareceram querendo contribuir com a causa – fizeram tudo acontecer.

A proteção à vida é o mais importante valor judaico. Novamente, a comunidade judaica mostrou que, com a união de suas entidades, pode fazer a diferença para a população mais vulnerável na cidade de S. Paulo, romper muros e transformar, para melhor, a sociedade maior.

Ishuv torna o inverno mais quente para as pessoas carentes

A chegada do inverno é um dos períodos mais temidos por aqueles que moram nas ruas. Por isso, mesmo com o isolamento social, as entidades judaicas não se esqueceram daqueles que sofrem com o frio nas grandes cidades e inovaram para conseguir arrecadar mantimentos para as pessoas carentes.

A tradicional Campanha do Agasalho da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) foi adaptada, com o sistema drive-thru, e conseguiu uma grande arrecadação e mobilização dos moradores de Higienópolis. A campanha “Todos na luta contra o frio”, foi organizada pela Área de Juventude da Fisesp e pelo Conselho Juvenil Sionista.

A Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj) também mobilizou todas as suas entidades para uma campanha que arrecadou alimentos e agasalhos, distribuídos a pessoas carentes. Já a Comunidade Israelita do Paraná, com a Campanha Aquece o ª 18, arrecadou mais de uma tonelada de agasalhos e cobertores distribuídos para ONGs de Curitiba e região.

O Espaço K também fez sua parte e mobilizou os jovens para atender os mais necessitados no centro de São Paulo no projeto K nas Ruas.

Todas essas iniciativas mostram a prática da Tzedaká fora dos muros da comunidade judaica, levando um pouco mais de conforto para todos aqueles que mais precisam na sociedade maior.

Fumaça azul na Knesset: novo governo em Israel

No fechamento desta edição, veio a boa noticia: Habemus Memshalá, temos um governo. A fumaça azul saiu da Knesset. Depois de tantas idas e vindas e uma maratona de eleições, Israel finalmente formou um governo.

Não foi uma solução simples para a complexa equação que se apresentou, mas mostrou como funciona uma verdadeira democracia no Oriente Médio.

Foi formado um governo de coalizão nacional, o que não é nenhuma novidade. Afinal, nos anos 1980, Israel já tinha inovado com Yitzhak Shamir, duas vezes primeiro-ministro pelo Likud, e Shimon Peres, co-fundador do Avodá e também duas vezes primeiro-ministro.

Traremos uma análise profunda desta nova faceta da política de Israel na próxima edição, com os artigos de nossos colaboradores Marcos Wasserman, Samuel Feldberg e André Lajst. Eles irão examinar as perspectivas da liderança do novo premiê Naftali Bennett e da presidência de Isaac Herzog.

O que mais desejamos aos novos governantes é Hatzlachá. O povo judeu, em todo o mundo, está torcendo por vocês.

Maimônides Day Hospital honra os ensinamentos do Rambam na pandemia

Neste espaço, temos destacado as inúmeras iniciativas das entidades paulistas para minimizar os efeitos causados pela pandemia do novo coronavírus. Já ressaltamos o trabalho de excelência das nossas instituições assistenciais, assim como da nossas entidades-teto, a Federação Israelita do Estado de São Paulo e a Confederação Israelita do Brasil.

No entanto, não é apenas em São Paulo que a comunidade tem se mobilizado para atender a população mais vulnerável em meio a essa crise sanitária. A Gente Seguradora, proprietária do Maimonedes Day Hospital, em Porto Alegre, cedeu leitos de UTI e outros equipamentos ao Hospital Independência, para atender usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). A ação foi importante, pois durante o pico de casos da doença, as UTIs da capital gaúcha ficaram com fila de espera para receber novos pacientes.

O Gente Maimônides Day Hospital foi instituído e calcado em valores judaicos como a humanística, a solidariedade e a benemerência.

Seu nome, em homenagem ao Rambam (como era conhecido Maimônides), faz jus aos ensinamentos do sábio. No Judaísmo é uma mitsvá curar os doentes e vencer as moléstias; a salvação de uma vida é superior a tudo. Maimônides escreveu: “É proibido uma pessoa se expor ao perigo de modo proposital.” Dele, também é a famosa oração dos médicos, que termina com a frase: “D’us, Tu me designaste para cuidar da vida e da morte de Tua criatura: aqui estou, pronto para minha vocação.”

Desde o início da vacinação, Hebraica é uma luz para os povos

Estamos completando um ano de pandemia do novo coronavírus. Nosso país inteiro está sofrendo com seus efeitos e, para a nossa comunidade, não tem sido diferente. Entidades assistenciais, como Unibes e Ten Yad, duplicaram suas atividades para poder atender as necessidades do Ishuv neste momento tão delicado.

Nossas páginas, nos últimos meses, relataram diversos exemplos de entidades e membros da comunidade que acolheram de várias maneiras aqueles precisavam de ajuda. Nossas instituições teto, como a Fisesp, coordenaram campanhas de orientação para diminuir os impactos da crise e proteger a todos.

Finalmente, quando a vacina chega ao Brasil e a São Paulo, vem também o desafio de aplicá-la de maneira rápida e eficiente.

Imediatamente, quando já estavam disponíveis as primeiras doses, a Hebraica abriu as portas de seu estacionamento para vacinar não apenas os seus associados, mas toda a população da região. Para tal feito, foi firmada uma parceria com a Secretaria de Saúde do prefeito Bruno Covas e com o secretário da Saúde do Estado de São Paulo, Jean
Gorinchteyn – os funcionários da prefeitura têm feito um trabalho formidável, sob a coordenação de Gláucia,
Carina e Leandro, assim como os da Hebraica. Daniel Bialski, presidente do clube recebeu elogios de Paulo Movizzo, presidente do Sindi Clube, pelo exemplo de cidadania e espírito coletivo.

No domingo de início da campanha, naquela manhã chuvosa, era possível ver na fila de carros que virava o quarteirão, o futuro presidente da Hebraica, Fernando Rosenthal e Gaby Milevsky, CEO da Hebraica, orientando aqueles afortunados que em poucos minutos iriam receber a abençoada vacina. Kol Hakavod, Hebraica!

Bayern de Munique e Corinthians: campeões mundiais de verdade

O Bayern de Munique se consagrou, recentemente, campeão mundial de clubes ao vencer o Tigres, do México, por 1 a 0, em jogo realizado em Doha, no Qatar. Mais do que isso, alguns dias antes, o clube tinha realizado algo muito maior: doou 100 mil euros, aproximadamente R$ 650 mil, para a reconstrução de uma sinagoga, o templo religioso de Reichenbachstrasse, na mesma cidade do clube alemão. O local foi destruído durante a Segunda Guerra Mundial e será reerguido para honrar a memória de seus antigos frequentadores.

Ainda falando sobre campeões mundiais, o Corinthians também deu exemplo de grandeza por ocasião do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. O presidente do clube, Duílio Monteiro Alves, mandou uma carta à Confederação Israelita do Brasil, afirmando que “a memória da Shoá, tão dolorosa para a comunidade judaica, deve ser recordada por todas as nações, para que jamais se repita com nenhum povo”.

No ano passado, o Timão já havia feito diversas ações para lembrar os 75 anos da libertação de Auschwitz, com uma exposição em sua Arena de retratos de sobreviventes da Shoá e o lançamento de uma camisa comemorativa, em parceria com o Memorial do Holocausto de São Paulo.

Esses dois exemplos mostram como times campeões mundiais, como Bayern e Corinthians, podem ser grandes também fora de campo, promovendo ações que reforçam a tolerância entre os povos.

Israel lembra dos sobreviventes da Shoá e dá show na vacinação

Em meio a tanta tragédia causada pela pandemia do Covid-19 no mundo todo, uma notícia traz um alento. O governo de Israel afirmou que trabalhará para fornecer vacinas contra o coronavírus para os sobreviventes do Holocausto, tanto em Israel quanto na Diáspora.

A complicada operação logística internacional está apenas em seus estágios iniciais. O ministro de Assuntos da Diáspora, Omer Yankelevitch, encarregou a organização Shalom Corps de coordenar os procedimentos burocráticos.
A campanha será conduzida por meio de centros de vacinação em vários países diferentes. Os sobreviventes que não puderem sair de casa receberão equipes médicas e voluntários. O Ministério pretende recrutar filantropos judeus para ajudar a financiar a operação e solicitar vacinas adicionais para os sobreviventes, sem tirar da cota alocada para o Estado de Israel. “Esta é a ordem moral que todo judeu carrega em seu coração – certificar-se de que eles nunca andem sozinhos”, disse Yankelevitch ao jornal Israel Hayom.

Israel também tomou a dianteira na vacinação do mundo. Até o dia 10 de janeiro, cerca de 17% da população do país já haviam tomado a primeira dose do imunizante da Pfizer/BioNTech, percentual muito maior do que outros países. Na coluna do Fundo Comunitário dessa edição, na página 5, confira o depoimento do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sobre a vacinação.

Cuidando dos sobreviventes do Holocausto e liderando a vacinação no mundo, Israel segue sendo uma luz para o mundo.

Os Litvaks e o Gaon de Vilna são lembrados em live

O Museu Judaico de São Paulo vem fazendo uma série de lives sobre a vida dos judeus na Europa. Em 9 de novembro, Carlos Levenstein, cônsul honorário da Lituânia, falou sobre os judeus nascidos nesse país, os litvaks.

Vilna, capital da Lituânia, era conhecida como a “Jerusalém do Norte”. No passado, havia 110 sinagogas na cidade. Hoje resta só uma em atividade: a sinagoga Choraline, construída em 1903, em estilo art nouveau. Até 1939, 240 mil judeus moravam na Lituânia. Cerca de 90% foram dizimados pelo Holocausto e hoje eles são pouco mais de 3 mil.

Levenstein chamou atenção para descendentes famosos de litvaks, como os atores irmãos das comédias “Os 3 Patetas”. Também mereceram destaque artistas como Charles Bronson, Harrison Ford, Leonard Cohen e Bob Dylan. Para os brasileiros destacam-se personalidades como Lasar Segall e Celso Lafer.

Em 2020, estão sendo comemorados os 300 anos do rabino Elijah ben Solomon (1720-1797), “o grande Gaon de Vilna”, amplamente divulgado pela cônsul-geral da Lituânia em São Paulo, Laura Tupe, e seu sucessor Vytautas Umbrasas.

Seu estilo de estudo da Torá e do Talmud moldou o “estilo analítico lituano”, forma de aprendizagem ainda hoje praticada na maioria das yeshivot. Em homenagem à data, a União Europeia lançou uma moeda comemorativa de 10 euros, com caracteres em hebraico.

As lives, apresentadas por Roberta Sundfeld, diretora do Museu Judaico, não apenas nos ensinam, mas também nos ajudam a preservar a memória de nosso povo.

Facebook corta a onda de revisionistas do Holocausto

Negadores do Holocausto sempre existiram. No entanto, antes das redes sociais, essas ideias estapafúrdias morriam na praia e seu alcance era restrito a grupos menores, sem expressão. Com o advento do Facebook e outras plataformas digitais, o revisionismo histórico começou a surfar em ondas maiores e a atingir mais gente.

Por essa razão, a Conib, saudou a decisão do Facebook de banir postagens que neguem ou distorçam informações sobre o Holocausto. “É sabido que o Holocausto é alvo recorrente de ataques e distorções por aqueles que pregam o ódio e a intolerância. É de fundamental importância que todos tenham acesso a dados verdadeiros sobre este momento nefasto da história da humanidade”, disse o presidente da Conib, Fernando Lottenberg.

As redes sociais também podem servir para o bem. Após pressão dos usuários do Facebook e Twitter, Wandercy Antonio Pugliesi, candidato a cargo de vereador na cidade de Pomerode, em Santa Catarina, foi expulso do seu partido, o PL. Admirador confesso do nazismo, Wandercy tem uma suástica desenhada em sua piscina.

Em época de disseminação constante de fake news, é preciso sempre ficar atento para que as ondas racistas e antissemitas não cresçam e abarquem novos seguidores.

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