NEGATIVO

Nazismo não é brincadeira, nem nas redes sociais

Muitos dos preconceitos da nossa sociedade são expostos em formas de brincadeira. É comum alguém fazer uma piada ou provocação e depois falar que não tinha a intenção de ofender, que se tratava apenas de uma chacota. Nas redes sociais, onde muitas vezes somos protegidos pela distância e o anonimato, essa prática é ainda mais comum.

Bruno Xavier, do Paraná, foi um desses que resolveu brincar com coisa séria. Ele, que ostenta um documento, que é uma espécie de passaporte do III Reich, que lhe dá um “título nazista”, foi acusado de enviar áudios idolatrando o regime que exterminou seis milhões de judeus e outras milhões de pessoas na Segunda Guerra Mundial.

Seu discurso nazista virou até ameaça de morte, quando se dirigiu a um idoso: “Vou te colocar na câmara de gás, seu velho judeu, imundo”. Para agravar a situação, ele é filho de desembargador do TJPR, o que, em tese, deveria ter lhe dado mais senso de justiça. Após uma busca da Polícia Federal – afinal, apologia ao nazismo é crime –, ele gravou um vídeo dizendo que assumiu o erro e que tudo não passava de uma “brincadeira de mau gosto”, uma “zoação”.

Não se pode brincar com coisa séria. Como já reportamos aqui, ataques nazistas têm aumentado exponencialmente no país, e esse tipo atitude só ajuda a validar essa violência. Por isso, temos que cobrar sempre as autoridades, para que atos assim não passem sem punição.

30 anos do atentado à Embaixada de Israel na Argentina, sem punição

Em 17 de março de 1992, um fato chocou os judeus no mundo, principalmente as comunidades da América do Sul. Um atentado terrorista destruiu a Embaixada de Israel em Buenos Aires, matando 29 e ferindo mais de 240 pessoas. Suspeita-se que agentes do Irã sejam os culpados, mas até hoje, depois de 30 anos, ninguém foi punido.

Para que esse crime não caia no esquecimento, o Congresso Judaico Latino-Americano (CJL) realizou um ato em memória das vítimas e pedindo por justiça na capital Argentina. No dia do aniversário do atentado, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, o Chefe de Gabinete da Nação Argentina, Juan Manzur e o deputado Leandro Santoro receberam na Casa Rosada os presidentes das comunidades judaicas da América Latina.

“Pedimos às autoridades competentes que mantenham os alertas vermelhos que atualmente se aplicam aos iranianos acusados do ataque da AMIA, fazendo com que a justiça continue sendo uma prioridade para a integridade da sociedade argentina, para a segurança das comunidades judaicas da região e para a memória das vítimas”, disse Jack Terpins, presidente do CJL. A busca por justiça tem que ser incansável e envolver todos aqueles que acreditam em um mundo de paz.

Não esqueça a minha Monark

Aqueles que tem mais de 40 anos, certamente se lembram de uma das mais criativas campanhas publicitárias, lançada no final dos anos 1970. O slogan dizia: não esqueça a minha Caloi. Marca líder de bicicletas no país, a Caloi tinha como concorrente a Monark. Apesar dessa lembrança lúdica e do título inventivo do nosso editorial, o assunto é sério.

As manifestações antissemitas, em especial de cunho nazista, aumentaram de maneira absurda nos últimos tempos no Brasil, se transformando em uma avalanche. Basta lembrarmos dos casos do ex-secretário especial da Cultura, Roberto Alvim, que usava diversos elementos do ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, e Filipe Martins, assessor especial da presidência, que reproduziu um gesto clássico dos neonazistas no Senado. Até chegarmos aos casos recentes do podcaster Monark (aí o trocadilho do título), que aventou a possibilidade de haver um partido nazista legalizado no país, e do comentarista da Jovem Pan Adrilles Jorge, que foi demitido por fazer a saudação “sieg heil” após falar sobre o caso.

Voltando à geração nascida nos anos 1960, ainda por influência dos sobreviventes da Shoá, havia uma mentalidade de se agir nos bastidores e não dar exposição ao assunto, mesmo aos perpetradores de atos abomináveis. Claro que os tempos mudaram, vivemos na era do imediatismo, e que tudo, segundo alguns, deve ser respondido na hora e com maior intensidade.

Vale a pena refletir sobre isso, pois a visibilidade do assunto foi gigantesca. A quem beneficia? Qual é o nosso objetivo final? Isso não significa que devemos nos esquecer dos Monark, dos Adrilles, dos Alvim ou dos Martins. Eles merecem toda a nossa indignação e a força da lei.

Vandalismo em cemitério argentino e o vírus do antissemitismo

A comunidade judaica argentina é a mais numerosa da América do Sul, tanto em números absolutos como proporcionais à sua população. E nossos vizinhos hermanos seguem sofrendo com manifestações antissemitas. O alvo da vez foi Cemitério Israelita de La Tablada, onde, em um fim de semana, foram roubadas mais de 300 placas de bronze. O presidente do DAIA, Jorge Knoblovits, destacou em diálogo com a Agência AJN a exigência inalienável de segurança na região, que está a cargo do Estado.

“O município de La Matanza e a província de Buenos Aires devem se encarregar de guardar um lugar sagrado como o cemitério”, disse Knoblovits. Além disso, o dirigente assegurou que falou sobre esta questão com o presidente da AMIA, Ariel Eichbaum, para unir forças entre ambas as instituições e exigir a segurança, já que, segundo ele, são frequentes os atos de vandalismo no cemitério.

Esses atos podem ser mais um sintoma do vírus do antissemitismo, que parece ter se intensificado com a pandemia da Covid-19. O site Open Democracy revelou que logo no início da pandemia, em 2020, centenas de tuítes antissemitas culpavam os judeus pela fabricação ou pela disseminação do vírus.

Para que essa nova pandemia não chegue com força também por aqui, temos que nos “vacinar”, ou seja, prevenir e cobrar sempre as autoridades responsáveis para punir quem espalha ódio e intolerância na sociedade.

Ishuv perde líder espiritual: Chaim Binyamini Z´L, o mestre dos rabinos

Não costumamos usar este espaço para comunicar o falecimento de alguém da nossa comunidade. Mas abrimos aqui uma exceção, já que se trata de um dos maiores mestres no ensino do judaísmo no país.

O Rabino Chaim Binyamini foi um sobrevivente do Holocausto, que serviu como sheliach do movimento Chabad em Petrópolis, no Rio de Janeiro, por mais de 50 anos. Lá ele fundou a primeira yeshivá do país.

Nascido em Budapeste, na Hungria, o rabino partiu, ao fim da Segunda Guerra, para Israel, onde se estabeleceu no assentamento Masu’ot Yitzchak. Foi ali que conheceu o movimento Chabad, quando um grupo de bachurim de uma yeshivá em Kfar Chabad foi passar o Shabat no kibutz.

O rabino Binyamini ficou profundamente comovido com os farbrengens e os niggunim cantados por esses jovens e passou escrever muitas cartas ao Rebe. No Brasil, esteve à frente da Yeshivá Machané Israel, que praticamente formou a maioria dos rabinos que servem no país hoje. Nos últimos anos, residiu em Kfar Chabad. Por ocasião de seu falecimento, recebeu uma linda e merecida homenagem na Sinagoga Bait. Ele tinha 99 anos e deixa três filhos, netos e bisnetos. Mas, acima de tudo, um legado de ensinamento do judaísmo para várias e várias gerações.

O fantasma do antissemitismo volta a assombrar a Alemanha

Nos últimos anos, sob o governo de Angela Merkel, a Alemanha se tornou um país com ótimas relações com Israel e convidativo aos judeus. Mas parece que os fantasmas do passado estão voltando a tomar forma no país.

Dois acontecimentos recentes mostram isso: no primeiro, o músico judeu Gil Ofarim deixou de ser atendido em um hotel em Leipzig, no leste da Alemanha, por usar no pescoço um colar com uma Maguen David. O recepcionista exigiu que Ofarim tirasse o adereço para poder entrar no estabelecimento. O caso gerou comoção na comunidade judaica alemã e levou à abertura de uma investigação.

O segundo envolve o futebol. O Union Berlin derrotou o Maccabi Haifa por 3 a 0 na capital alemã. Mas a parte realmente negativa se deu nas arquibancadas. Torcedores do time israelense eram chamados de “malditos judeus” e tinham cerveja jogada contra eles. A polícia chegou a impedir um fã de queimar uma bandeira israelense.

Angela Merkel está se despedindo do comando da Alemanha, leia artigo de Caio Blinder na página 16. Mas esperamos que todas as conquistas dos últimos anos se mantenham e que os anos terríveis, em que o antissemitismo deu origem aos episódios mais bárbaros da nossa história, fiquem no passado.

YouTuber faz apologia ao nazismo e diz ser admirador de Hitler

Hoje, no Brasil e no mundo, muitos jovens almejam ser YouTubers. Inspirados por muitos que fazem sucesso na Internet, eles também querem angariar milhares de seguidores e serem famosos.

Os Youtubers falam sobre os mais diversos assuntos. O problema é quando esse assunto extrapola para a apologia ao nazismo. Um jovem de 21 anos, da cidade de Tramandaí, no litoral gaúcho, viralizou gravando um vídeo com os seguintes dizeres:
“Salve, galerinha, beleza? Antes de tudo, sieg heil. Tamo junto aí, né?”, afirmou ele, levando o braço à frente, imitando um gesto como era feito por nazistas e vestindo um chapéu da juventude hitlerista.

Na delegacia, acusado de apologia ao nazismo (crime inafiançável), disse que apenas fez o vídeo de “zoeira”. Contudo, confessou que realizou a saudação nazista por ser admirador de Adolf Hitler.

Pois é, temos que ficar atentos com o que nossos jovens têm assistido na Internet e denunciar sempre que aparecer alguma aberração como esse vídeo do YouTuber gaúcho.

Frases antissemitas em meio a condomínios de luxo no RJ

Papeis na rua acusando os judeus de roubarem as riquezas do país. Não estamos falando da Alemanha dos anos 1930, mas sim do Rio de Janeiro dos tempos atuaisilhares de papéis com a mensagem: “Judeus acumuladores compulsivos de ouro, diamante e dólares” estavam no chão, próximos de dois condomínios da Barra da Tijuca, Mundo Novo e Américas Park, e chamaram a atenção dos moradores. Ninguém assinava a declaração.

A Polícia Civil instaurou um inquérito apurar o crime de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos mostram que violações em relação ao judaísmo cresceram quatro vezes no primeiro semestre deste ano.

O presidente da Federação Israelita do Estado do Rio (Fierj), Alberto David Klein, afirma que as ofensas simbolizam um ataque de ódio a grupos minoritários: “Quem discrimina não o faz só contra os judeus, mas também contra muçulmanos, entre outros. A polarização tem levado ao extremismo, ao racismo, ao antissemitismo. E o que nos preocupa não é a mensagem tão somente nos bilhetes, mas a consequência desses ataques, porque pode ser que as pessoas que organizaram isso tenham seguidores e queiram dar prosseguimento a essas ações”.

O antissemitismo tem dado as caras no mundo todo e parece estar crescendo por aqui também. Que os responsáveis sejam encontrados e punidos exemplarmente.

Será que estamos vivendo uma epidemia mundial de antissemitismo?

Em uma busca rápida no Google pela palavra antissemitismo, muitos casos recentes aparecerão, nos mais diversos países. Inclusive dentro do próprio Google.

A empresa norte-americana de tecnologia se recusou a demitir seu chefe de diversidade, Kamau Bobb, depois de uma postagem em que dizia que os judeus “têm um apetite insaciável pela guerra”. Em vez de ser desligado imediatamente, foi transferido para outro posto na companhia.

Em um livro recém lançado do jornalista Michel Bender, foi revelado que o ex-presidente norte-americano Donald Trump, em visita à Europa em 2018, teria dito: “Bem, Hitler fez muitas coisas boas”. E, como se sabe, nenhuma punição ocorreu a ele.

Outros dois casos, pelo menos, não saíram impunes. O jovem Noa Lang, jogador do Bruges, da Bélgica, que proferiu a frase “antes morto que judeu”, terá de visitar o Museu do Holocausto e dos Direitos Humanos antes de 1 de outubro. Caso contrário, será automaticamente suspenso por dois jogos. Já o ex-secretário de Turismo de Maceió, Ricardo de Araújo Santa Ritta, foi demitido do cargo após ter afirmado que não sabia que “usar qualquer elemento com a ‘suástica nazista’ é crime federal no Brasil”. Ele enviou carta ao presidente da Conib, Claudio Lottenberg, pedindo desculpas por seu comentário.

As punições, mesmo que educativas, são necessárias para conter essa que parece ser uma (não tão) nova epidemia mundial.

Alerta de antissemitismo na Península Ibérica

Do século 13 ao 19, a Inquisição considerava como herege qualquer um que professasse práticas diferentes daquelas reconhecidas como cristãs, entre eles, os judeus. Ela teve como centro principalmente Espanha e Portugal, assim como suas colônias.

Chegando ao século 21, parece que uma nova onda antissemita volta a assombrar a Península Ibérica. Em Portugal, durante o último conflito entre Israel e o Hamas, o Serviço de Informações de Segurança (SIS) enviou um relatório para as forças de segurança nacionais para alertar sobre a possibilidade de acontecer ataques a locais judaicos no país. Na análise efetuada, o SIS atribuiu grau três à eventual ameaça – o que representa um nível de risco significativo. As forças de segurança precisaram adotar medidas preventivas para evitar o pior.

Já na Espanha, a jornalista Pilar Rahola teve sua casa pichada com frases como “cúmplice de genocídio” e “Palestina livre”, por sua postura a favor de Israel durante a mesma crise com o Hamas. O ataque se deu pelo grupo catalão Arran.

Parece que a nova Inquisição luso-espanhola agora persegue quem se coloca a favor da existência do único Estado Judeu do mundo. É uma nova roupagem para algo que ocorre há séculos, ou seja, o antissemitismo e a intolerância sob as vestes do antissionismo.

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